Foto: Guina Ferraz

Mais um passo para fortalecer os bancos públicos foi dado nesta terça-feira, 13, em Brasília, com o seminário “Estratégias para Financiamento e Desenvolvimento” e o lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos. A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, e a diretora Luciana Bagno participaram do evento, que contou também com parlamentares e representantes de outros sindicatos, federações de trabalhadores, movimentos sociais e universidades.

Durante o seminário, os trabalhadores ressaltaram a importância dos bancos públicos para o desenvolvimento do país. O crédito destes bancos tem função social, gera empregos e beneficia, especialmente, os mais pobres. Foram os bancos públicos que, em momentos difíceis da economia, fomentaram o crescimento ou até mesmo pressionaram os bancos privados a baixar suas taxas de juros.

Porém, no governo Temer, o que se vê é uma tentativa de desmonte. Reestruturações e planos de desligamento voluntário já vêm afetando diretamente a vida de trabalhadores de bancos públicos, inclusive com redução nos salários. Além disso, se percebe a retirada da oferta de crédito, o que prejudica também programas como o Fies e o financiamento imobiliário para os mais pobres.

Durante o seminário, também foram apresentados dados que mostram que o fortalecimento dos bancos públicos é o caminho correto, já que nestes bancos inclusive a inadimplência é menor que nos bancos privados.

“Nós estamos vivendo uma ofensiva neoliberal em seu momento mais forte no Brasil. É um momento de loucura acabar com os bancos públicos e a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). Os bancos públicos são fundamentais para o país, inclusive para superar a crise econômica, como aconteceu em 2008”, completou o senador Lindberg Farias (PT-RJ), que coordena os trabalhos da Frente Parlamentar no Senado. A manutenção da TJLP é importante para o fomento da política de investimento a longo prazo com uma taxa de juros mais acessível. O atual governo quer extinguir a TJLP para implementar uma taxa de juros de mercado atrelada à Selic.

O professor da Unicamp e economista Luiz Gonzaga Belluzzo explanou durante Seminário sobre a falácia da política de austeridade que o atual governo defende. “Não é a PEC de cortes de gastos que vai fazer com que o a economia pare de desacelerar, porque não vai ocorrer um ajuste real das contas dessa maneira. A economia não estava em plena decadência, como alguns não cansam de afirmar, se observamos que o Brasil é um dos países menos endividados e que teve ganhos superavitários nos últimos anos”, disse Belluzzo. Ele reafirmou que o Estado precisa manter o fomento ao crédito para se manter o ciclo positivo para a economia.

Fernando Nogueira, que é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, destacou que o modelo de bancos públicos fortes é utilizado em outros países de maneira bem-sucedida. São exemplos os países que formam o grupo BRICs, que têm bancos públicos de importância.

Ele destacou ainda a diferença de visão para o fomento ao crédito entre bancos públicos e privados. “Os bancos privados privilegiam o financiamento do setor automobilístico e cartão de crédito. Já os bancos públicos fazem financiamento em várias políticas públicas, como o setor habitacional e agricultura familiar com juros mais baixos”, explicou Fernando Nogueira.  Ele também é autor do livro Bancos Públicos no Brasil. A publicação foi feita com o apoio da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae).

“Os bancos públicos são instrumento de desenvolvimento. É botando dinheiro nas mãos dos mais pobres que multiplicamos a economia. Esse direito ao crédito não pode ser perdido. Pode ter controle das despesas, mas sempre defendendo um projeto que faz a economia crescer e proteja o emprego”, resumiu Wellington Dias, governador do Piauí e empregado da CAIXA, durante sua exposição no seminário.

Lançamento da Frente

Durante a mesa de lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos no Senado parlamentares e representantes dos trabalhadores reafirmaram a importância dos bancos públicos para a sociedade brasileira.

A senadora Gleisi Hoffmann ressaltou que “nós somos críticos a esse governo e temos propostas para o desenvolvimento. Os bancos públicos foram criadores para desenvolvimento no país. Não se faz investimento e consumo de bens duráveis sem crédito. Nós ressaltamos a importância dos bancos públicos e continuamos também na resistência contra as reformas trabalhistas”.

“Estamos sofrendo um tsunami nas instituições públicas com a precarização do trabalho, reformas prejudiciais à população e desmonte de instituições de representantes sociais. Cabe a nós mais esse embate contra essa ameaça dos bancos públicos. Unirmos forças para que não ocorra mais esse golpe”, comentou o deputado Zé Carlos (PT-MA), que coordena os trabalhos da Frente Parlamentar na Câmara.

O presidente da Contraf-CUT Roberto von der Osten também deu o recado. “O país consegue distribuir recursos se tem controle de uma instituição financeira. Os bancos públicos também existem para corrigir falhas do setor privado. Fomentar o crédito é papel do banco público. Isso já resume esse debate. É inquestionável a importância do banco público”, afirmou.

A Frente Parlamentar vai ampliar discussão sobre a importância dos bancos públicos fortes como instrumentos de fomento ao crédito e políticas sociais do país também nos estados e municípios com audiências públicas.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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