Nesta quinta-feira, 25 de abril, completaram-se três meses da tragédia causada pela Vale em Brumadinho. Para marcar a data e lembrar as vítimas de acidentes do trabalho no rompimento da barragem, trabalhadoras e trabalhadores realizaram uma solenidade no município, fazendo alusão também ao Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes do Trabalho (28 de abril).

O Sindicato participou do evento, representado pela diretora de Saúde, Luciana Duarte. Estiveram presentes representantes do Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalhador e da Trabalhadora de Minas Gerais, centrais sindicais, Comissão de Trabalho, Previdência, Assistência Social da ALMG, movimentos populares, famílias das vítimas e atingidos, entre outras organizações.

Entre as atividades, os presentes realizaram uma audiência pública, um culto ecumênico, uma assembleia popular e um ato político-cultural.

O rompimento da barragem de Córrego do Feijão, da Vale, em 25 de janeiro, é considerado o maior acidente de trabalho já ocorrido no país. O crime da mineradora resultou na morte de pelo menos 233 pessoas, entre trabalhadores e trabalhadoras diretos e indiretos e ainda membros da comunidade. Além disso, 37 pessoas seguem desaparecidas.

Toda a cidade de Brumadinho foi atingida, famílias foram vitimadas, postos de trabalho foram destruídos, bem como propriedades rurais. Toda a bacia do Rio Paraopeba foi impactada, provocando sofrimento psicossocial e adoecimento de trabalhadores e da população da região.

Desde o rompimento da barragem, foram registradas ou estão em processo de registro no Sistema Nacional de Mortalidade 208 mortes relacionadas à tragédia. Mais de 70% delas (149) foram registradas ou estão em processo de lançamento no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) como tendo sido causadas por acidente de trabalho grave.

É importante destacar que o Brasil é o quarto colocado entre os países que mais registram acidentes de trabalho fatais. No mundo, a cada 15 segundos uma vida se perde em função de doença ou acidente envolvendo o trabalho.

Segundo Márcia Lazareno, do Centro de Referência Regional de Saúde do Trabalhador (Cerest) de Betim, vinculado ao SUS, apesar do trabalho desenvolvido pelo Centro, familiares de vítimas ainda estariam recebendo benefícios, como pensão, por razão de morte tipificada como comum. A distorção também pode ter mais impactos financeiros para a sociedade e os contribuintes, e menos para a Vale, já que benefícios por morte comum recaem sobre o sistema de Previdência Social, enquanto, nos casos de acidente de trabalho, a Vale teria que arcar com os valores.

Durante a audiência, os trabalhadores também destacaram que tragédias como esta desencadeiam também quadros de adoecimento mental, depressão, violências diversas e de piora de doenças crônicas.

Às 12h28, hora exata do rompimento da barragem, foi realizado um ato seguido de culto ecumênico em memória dos mortos no Memorial das Vítimas. A manifestação contou com faixas e cartazes de protesto contra a Vale. Os nomes de mortos e desaparecidos foram citados um a um enquanto os manifestantes soltavam balões.

Já no início da tarde, no Teatro Municipal Nicodemos da Cunha, promotores de Justiça, defensores públicos e procuradores da República esclareceram atingidos e parentes de vítimas do crime da Vale sobres os procedimentos na Justiça para defender os seus direitos.

A programação contou ainda com um ato político-cultural promovido pela Frente Brasil Popular Minas. Além de homenagear as vítimas, os trabalhadores cobraram novas formas de mineração, que não tragam danos às comunidades e ao meio ambiente.

Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes do Trabalho

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) instituiu o dia 28 de abril como o Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho, em memória às vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. No Brasil, a Lei 11.121/2005 instituiu o mesmo dia como o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

Segundo dados do Programa de Prevenção de Acidentes de Trabalho da Justiça do Trabalho, ainda ocorrem, no Brasil, mais de 700 mil acidentes do trabalho por ano. A cada dia, considerando apenas os dados oficiais, aproximadamente 55 empregados deixam definitivamente o mundo do trabalho, por morte ou incapacidade permanente.

A Arte abraça Brumadinho

Também para marcar os três meses da tragédia em Brumadinho, a Fundação Dom Cabral, em parceria com lideranças comunitárias e voluntários de diversas partes do Brasil, lança o projeto “A Arte Abraça Brumadinho” na noite desta sexta-feira 26 de abril, sexta-feira, 19h, na Igreja da Matriz, no centro da cidade mineira. Bancários também participam como voluntários da organização.

O projeto levará, até o fim do ano, atividades de cultura e educação para a cidade com o objetivo de dar visibilidade e mobilizar esforços para três desafios que precisam ser enfrentados após a tragédia: estimular escolas para que elas contribuam com a ressignificação do desastre; apoiar organizações locais a consolidar e ampliar o alcance de projetos sociais na cidade; promover reflexão sobre alternativas de reconstrução simbólica e concreta da cidade.

Saiba mais na página do projeto.

Veja a programação do fim de semana:

26 de abril – Sexta-feira – 19h – Igreja da Matriz (capacidade para 300 pessoas)

Espetáculo gratuito Missa para Clarice, com o diretor, ator e produtor Eduardo Wotzik

27 de abril – Sábado – Praça Central (capacidade 600 pessoas)

17h – Exibição do vídeo clipe Esperança e Amor

17h30 – Apresentação Orquestra Maré do Amanhã e Batucabrum

18h – Espetáculo Missa para Clarice

28 de abril – Domingo

10h – Apresentação da Orquestra Maré do Amanhã e Batucabrum à Corporação do Corpo de Bombeiros Militar que atuam em Brumadinho

14h30 – Apresentação no Instituto de Arte Contemporânea INHOTIM para os visitantes do local.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com SEEB Ipatinga e CUT

 

 

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